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A resiliência dos jovens Y de alto potencial

by Eduardo Estellita on fevereiro 5, 2017

A psicóloga norte-americana Heidi Grant Halvorson coordena o Centro de Ciência da Motivação na Universidade de Columbia. Em um de seus famosos artigos “O problema das crianças brilhantes”, ela descreve um experimento psicológico que possui diversos pontos em comum com a educação recebida pela Geração Y nas Américas.

No estudo, 2 grupos de alunos do quinto ano igualmente inteligentes receberam 3 baterias de exercícios. A primeira consistia de problemas relativamente fáceis e os alunos foram felicitados pelo seu desempenho. O primeiro grupo foi felicitado pela sua capacidade (“Você deve ser muito inteligente!”) enquanto o segundo pelo seu esforço (“Você deve ter estudado bastante!”).

A segunda bateria era constituída de problemas muito difíceis, a ponto de poucos alunos conseguirem acertar uma única resposta. Ao receber os resultados, disseram-lhe que “tinham se saído muito pior”. Finalmente, a terceira bateria era composta de problemas tão fáceis quanto na primeira, para que os pesquisadores pudessem determinar como a experiência do fracasso afetara o desempenho.

A pesquisa descobriu que o primeiro grupo (felicitado pela inteligência) teve um resultado na última bateria 25% pior do que na primeira. Os alunos culpavam a falta de talento inato para explicar o baixo desempenho na segunda rodada, gostaram menos da última série e desistiram dos exercícios em menos tempo. Já o segundo grupo (felicitado pelo esforço) teve um resultado na última bateria 25% melhor do que na primeira. Eles justificavam seu baixo desempenho na segunda série dizendo que não haviam tentado o suficiente e, de uma forma geral, persistiram e apreciaram mais a última série.

A moral da história é que educar crianças com foco em esforço favorece o growth mindset, uma visão de mundo na qual competências podem ser aprendidas e desenvolvidas, enquanto que a educação afirmativa, muito popular na década de 90, nos anos de formação da geração Y, estimulou o fixed mindset, a crença de que o desempenho está invariavelmente associado a capacidades estáticas e inatas.

Em consequência disto, os jovens de alto potencial na escola continuaram a ter sucesso em toda sua carreira acadêmica: do jardim ao PhD ou MBA, até os seus 25-30 anos. Até esta idade, a maior parte dos Y com elevados QI e inteligência emocional ainda não experimentaram fracasso. Eles foram aplaudidos por seus resultados rápidos e precisos, por seu talento para desenvolver estratégias que fizeram a diferença e por sua capacidade de convencer e inspirar pessoas em praticamente todos os campos em que se aventuravam.

No entanto, cedo ou tarde, eles se confrontarão à aleatoriedade da vida, à imprevisibilidade de mercados, à fragilidade do emprego e à irracionalidade de familiares e colegas de trabalho. Tais momentos são extremamente perigosos, pois esta primeira experiência tardia com o fracasso provavelmente trará uma queda significativa no desempenho, na autoestima e na motivação.

Para imunizá-los de uma experiência traumática, grandes líderes e mentores de jovens Y podem aplicar algumas técnicas:

  • Comemorar resultados, mas não esquecer-se de felicitá-los por seus esforços nos momentos de pico de trabalho.
  • Investir no desenvolvimento de competências e em coaching para reduzir crenças limitantes. Fazer debriefings sobre o papel do esforço no desenvolvimento de novas competências.
  • Não os promover cedo demais. Em vez disso, investir em rotações de cargo ou experiências com projetos, para aumentar sua capacidade de adotar diferentes perspectivas (empatia cognitiva).
  • Estimulá-los a facilitar sessões de brainstorming em torno de problemas complexos ou “crises diárias”, para expandir a consciência sobre os diferentes recursos disponíveis e as pessoas impactadas por cada solução.
  • Encorajá-los a participar de redes de troca com outros altos potenciais, para que encontrem apoio em momentos de dificuldade.
  • Realizar sessões de reflexão pós-mortem, para que aprendam a valorizar o aprendizado por trás de cada experiência de fracasso.

O fracasso é parte natural da vida e da construção de uma carreira de sucesso. As lições aprendidas são guias imprescindíveis para navegar em um mundo cada vez mais ambíguo, complexo, volátil e incerto. Os líderes do século 21 serão aqueles capazes de desenvolver a resiliência de suas equipes e de ajudá-las a vencer o medo de errar.

Como você desenvolve resiliência e prepara seu time para o fracasso?

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