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Coaching de narcisistas

by Eduardo Estellita on outubro 6, 2016

Qual é o ponto em comum entre Napoleão, Rockfeller, Thomas Edison, Churchill, Steve Jobs e Elon Musk?

Como o jovem grego que se afogou no rio, apaixonado pelo próprio reflexo, todos eles tinham uma personalidade com características altamente narcisistas.

Narcisismo não é algo que a pessoa tem ou não. Todos possuímos características narcisistas em certo grau. Elas nos ajudam a sentir bem com nós mesmos e a nos impor um pouco, porém excesso de narcisismo é perigoso. Quando o cliente tem uma personalidade altamente narcisista, com frequência o objetivo do coaching é transformar comportamentos patológicos em funcionais.

 

A personalidade narcisista

Nas últimas 3 décadas, o mundo dos negócios experimentou uma enorme onda de mudanças, o que deu origem a um novo perfil de líder. Assistimos o renascimento do líder visionário e carismático, que não tem vergonha em adornar as capas das revistas, fazer entrevistas e dar a sua opinião sobre qualquer assunto.

Este líder, frequentemente narcisista, se destaca por sua visão e competitividade. Ele tem uma ideia muito clara de como chegará ao sucesso e não mede esforços para alcançá-lo. Muitas vezes, não somente é o especialista em sua indústria, mas aquele que faz as perguntas que a alça a novos patamares.

Por outro lado, também pode ser egoísta e manipulador. Ele exige grande quantidade de empatia e reconhecimento, mas encontra dificuldade para retribuí-los aos que contribuíram para o seu sucesso, criando um ambiente de trabalho hostil.

Dentro das empresas, sua ambição grandiosa pode levá-lo a incorrer em riscos excessivos, sem jamais construir planos de contingência. Se não for trabalhada, sua personalidade explosiva e sensível a críticas pode levar a desconfiança, paranoia e isolamento.

 

O processo de coaching

O primeiro impulso do coach inexperiente seria começar o processo quebrando a imagem grandiosa que o narcisista construiu para si, destacando o contraste entre como ele se vê e a percepção que os outros têm dele. Este seria um grande erro!

O narcisista já lidou diversas vezes com pessoas que, de maneira bem ou mal-intencionada, tentaram o mesmo. Para proteger-se, ele construiu uma armadura pesada e uma visão maniqueísta do mundo, onde os outros são aliados ou adversários. Por trás da máscara de autoconfiança exagerada, se esconde uma pessoa com autoestima frágil.

Por causa disso, narcisistas não ouvem quando se sentem ameaçados ou atacados. Críticas aos seus comportamentos são interpretadas como sinal de inveja ou de falta de visão, reforçando ainda mais seus sentimentos de grandiosidade. Não há ampliação da consciência porque o conteúdo da mensagem é descartado por inteiro e, uma vez o coach alçado à lista de inimigos, a possibilidade de se construir uma relação de confiança é significativamente reduzida.

No primeiro momento, o papel do coach é de colocar a autoestima do seu cliente em fundações fortes. Para conquistar sua confiança, ele deve demonstrar empatia por seus sentimentos e suprir parte de sua necessidade de reconhecimento, sem esperar do cliente grandes demonstrações de empatia pelos outros. Elogiar suas maiores realizações (sem bajular), valorizar seu tempo e responder rapidamente aos contatos entre sessões são algumas formas eficazes de fortalecer essa confiança.

Em seguida, o coach pode começar a confrontar comportamentos disfuncionais, apoiando-se em três aspectos inerentes à personalidade narcisista: relação à autoridade, visão e competitividade.

Apesar de independentes por natureza, narcisistas têm a tendência a idealizar pessoas que admiram. Sua sede por reconhecimento (insaciável, em casos patológicos) tem sua origem no desejo infantil de impressionar seus pais. Na fase adulta, esse desejo é projetado sobre outras figuras de autoridade.

Um coach experiente utilizará essa transferência para estabelecer uma relação de trabalho estável e confrontar disfunções comportamentais, mostrando, objetivamente, como elas são limitantes para a sua imagem na empresa. Nesse contexto, um coach com vasta experiência em organizações, com conhecimento sobre o setor do cliente, conseguirá mais rapidamente transmitir credibilidade e estimular mudanças.

O coach deve caminhar na fronteira entre não reforçar sentimentos de grandiosidade e aproveitar-se das vantagens da competividade do seu coachee. Como a visão do cliente muitas vezes é clara, pode ser interessante aceitá-la tacitamente para debater como cada ação pode ajudá-lo ou impedi-lo de atingir seus objetivos. Essa reflexão tática levará o cliente a melhorar seus relacionamentos e a resolver, de forma construtiva, conflitos interpessoais que se apresentam como obstáculos no caminho da sua visão.

Conforme o narcisista experimenta maneiras mais eficazes de se relacionar, sua autoestima floresce. Aos poucos, ele vai sentir menos necessidade de reconhecimento e se tornará mais apto a dividir os louros do sucesso com os outros. Alguns se tornarão excelentes mentores. Essas mudanças são tão significativas que, muitas vezes, levam à sonhada promoção.

Porém, infelizmente, muitos narcisistas regridem aos velhos hábitos após realizarem suas ambições. Para evitar isso, é importante que, uma vez atingido o objetivo primário do coaching, o cliente continue a ser acompanhado na nova responsabilidade, a fim de estabilizar seu comportamento.

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