Articles

Quem tem medo de mudança?

by Eduardo Estellita on agosto 28, 2017

Como você encara as mudanças na sua vida?

Você luta contra elas, posterga o máximo possível ou encara toda a experiência como uma benção, como quem abre uma janela fechada há muitos anos para enfim deixar os raios de sol entrarem? Você se apega às lembranças e às pessoas que vão ficar para trás ou se anima ao imaginar os novos lugares e pessoas que conhecerá?

A forma como enxergamos a mudança diz muito sobre nós. Ela nos diz se somos mais orientados para o passado ou para o futuro. Se preferimos a cautela ou o risco. Se somos apegados ao controle ou se sabemos confiar no destino. Se enxergamos o desconhecido como algo perigoso ou como algo excitante. Se vemos a raça humana de forma pessimista ou otimista.

Pessoalmente, eu sou um grande fã da mudança. Nos últimos 20 anos, morei em 8 cidades, em 5 países, e mudei de carreira pelo menos 3 vezes. Construí amizades incríveis, que sobrevivem ao tempo e à distância. Desenvolvi projetos que nunca teria imaginado com pessoas dos quatro cantos do planeta. Comecei diversas atividades, algumas por vários anos, outras por apenas alguns dias.

A primeira lição que a mudança me ensinou é que nada é definitivo. Foi preciso aprender a abraçar algumas palavras que a gente tanto evita, para me liberar do medo da mudança.

Foi preciso me liberar do medo do “fracasso”, já que nenhuma mudança me levou tão longe a ponto de eu me perder. O máximo que ela fez foi dar um empurrãozinho em uma direção. Se eu gostasse do novo ponto, podia continuar naquela direção. Se não, podia mudar a forma de enxergar o ponto ou o ângulo do próximo empurrão. É óbvio que alguns empurrões saem mais caros que outros e isso pode ser frustrante, porém no grande esquema da vida não é do valor do investimento que você vai se lembrar em 1 ano, mas do aprendizado, da nova competência ou forma de enxergar o mundo. Pode parecer clichê (e é!), mas acolher a mudança significa parar de se preocupar com o destino (ou o que os outros pensam do ponto onde você se encontra) e manter os olhos abertos à experiência da jornada.

Também foi preciso me liberar do medo da “desistência”. Insistir em uma carreira, um relacionamento ou um ambiente que não te desafia, emociona, reconhece, ou o que for importante para você, simplesmente porque “não se deve desistir” é desperdiçar seu tempo na Terra. Desistir do que não lhe faz bem abre espaço para explorar o que pode ser melhor, enquanto insistir, consome o seu tempo e energia, alimentando uma vida de arrependimentos.

Cultivar o hábito da mudança, nas pequenas e grandes coisas, e aventurar-se fora da nossa zona de conforto desenvolve a sabedoria que permite diferenciar perseverança de teimosia. A perseverança ajuda a superar os desafios e frustrações em nosso percurso para um propósito maior, ela nos aproxima da melhor versão de nós mesmos. A perseverança é criativa, atenta às oportunidades do caminho e flexível. Por sua vez, a teimosia é rígida e cega à realidade.

A segunda lição é que a relação que temos com nossas escolhas também não é definitiva. Cada experiência altera a nossa forma de perceber o mundo e nós mesmo. Crescemos, mudamos de opinião, enjoamos, a vida é assim. A arte da mudança nos mantém conectados à nossa versão mais presente e, quando estamos no aqui e agora, nos tornamos mais conscientes dos nossos movimentos internos e das oportunidades escondidas no ambiente.

Isso ficou evidente quando comecei a morar em países frios, onde as estações do ano são mais marcadas. Há tempos para cuidar da mente e para cuidar do coração. Há tempos para o espírito e para o corpo. Para a reflexão e para a ação. Para a introversão e para a expansão dos contatos. Para aprender e para transmitir. Nestes países, o clima dita os movimentos de nossas mudanças. A sociedade inteira sente o movimento dessa maré climática e se adequa. A melodia dos processos de mudança é cadenciada: “até a primavera”, “no próximo verão”, “durante o inverno”.

Em nosso país tropical, a cadência da melodia é abafada. É preciso silenciar-se para ouvi-la com atenção. O grande risco de não parar para escutá-la é que acabamos por acumular uma série de projetos que nunca saem do papel.

A última lição é que mudança exige foco e planejamento. Quando eu era mais jovem, conseguia ser mais impulsivo com as minhas mudanças. Batia a vontade, arrumava as malas e pé na estrada. Isso era liberador e ao mesmo tempo trazia uma série de dores desnecessárias. Talvez sejam exatamente essas dores das mudanças intempestivas da juventude que provocam tanta angústia quando ouvimos falar de mudança.

Mas não precisa ser assim. Hoje em dia, planejo com muito mais cuidado minhas mudanças. Peso friamente os prós e contras, avalio os elementos onde posso exercer influência, calculo o tempo, energia e dinheiro que pretendo dedicar a ela, entrevisto pessoas que fizeram mudanças similares para descobrir oportunidades e armadilhas, desenvolvo planos de contingência, marco no calendário o dia D e pulo de cabeça quando chega a hora certa. Por causa do foco e do planejamento, não sofro de ressaca pós-mudança e consigo mantenho o olhar no horizonte.

E você? Com que frequência sai da zona de conforto? 

Qual mudança está surgindo em seu horizonte e com que olhos você a enxerga?

 

Nos dois últimos meses, estive um pouco “sumido”. O motivo é que estava preparando algumas mudanças importantes.

Após 1 ano e meio de ponte aérea, finalmente a genYus e eu nos mudamos para São Paulo! Sou oficialmente “novo” na cidade, mas tenho a felicidade de poder contar com uma extensa rede de amigos, parceiros e clientes que me acolheram de braços abertos.

A segunda mudança foi de reforçar o compromisso que assumi em apoiar ainda mais a mudança dos outros, para que ela deixe de ser um bicho-papão para tantas pessoas.

Na Casa do Saber, mudamos o modelo dos meus cursos do segundo semestre de 2017 para oficinas, focadas na prática, com encontros de 3 horas (em vez de 2h), sempre aos sábados. Serão 2 cursos para você mudar a sua forma de falar em público e um outro para tirar o seu projeto pessoal do papel, seja ele qual for.

Além disso, durante o mês de setembro vou oferecer uma sessão de coaching gratuita para os 15 primeiros que me contatarem, para ajuda-los a refletir e estruturar uma mudança importante em suas vidas. Se você quiser fazer parte ou se conhece alguém que precisa ter mais clareza para atravessar uma mudança, aproveite a oportunidade.

Related Posts

Take a also a look at these posts
Deprecated: Function get_magic_quotes_gpc() is deprecated in /customers/d/0/c/genyusatwork.com/httpd.www/wp-includes/formatting.php on line 4764 Deprecated: Function get_magic_quotes_gpc() is deprecated in /customers/d/0/c/genyusatwork.com/httpd.www/wp-includes/formatting.php on line 4764 Deprecated: Function get_magic_quotes_gpc() is deprecated in /customers/d/0/c/genyusatwork.com/httpd.www/wp-includes/formatting.php on line 4764